Drogas antiepilépticas e tentativas de suicídio em pacientes com transtorno bipolar
Em 31 de janeiro de 2008 o FDA lançou um alerta em relação ao risco aumentado de pensamentos e comportamentos suicidas relacionados ao uso de drogas antiepilépticas (AEDs). Pesquisadores norte-americanos realizaram um estudo fármaco-epidemiológico no qual os índices de tentativa de suicídio foram comparados antes e depois do tratamento, e com um grupo controle. As análises foram restritas ao uso de AED e lítio, como monoterapia. Participaram 47.918 pacientes com transtorno bipolar com uma janela de informação de no mínimo 1 ano antes e depois da data de início da sua doença. No geral, não foi observada diferença na taxa de tentativa de suicídio para pacientes tratados com AED (13:1000 pessoas/anos) em comparação com pacientes não tratados com AED ou lítio (13:1000 pessoas/anos). Nos pacientes tratados com AED o índice de tentativa de suicídio foi significativamente maior antes do tratamento do que após (72:1000 vs 13:1000 pessoas/anos). Nos pacientes que não recebiam nenhum outro AED ou antipsicóticos, os AEDs apresentaram uma proteção significativa em relação à ausência de tratamento (3:1000 vs 15:1000 pessoas/anos). A conclusão é que apesar dos relatórios do FDA em relação ao aumento do risco de suicídio associado ao uso de AED, este estudo revelou que enquanto classe, os AEDs não aumentam o risco de tentativas de suicídio em pacientes com transtorno bipolar, em relação àqueles não tratados com AED ou lítio. O uso de AEDs reduz os índices de tentativas de suicídio de pacientes que não fazem uso de nenhuma droga antipsicótica e em relação aos níveis pré-tratamento. Arch Gen Psychiatry. Volume 66, Number 12, Dec 2009. Pages 1354-1360.
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